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Oliveirando em Azemeis

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"O nascer do meu Rio"

05.08.22 | oliveirandoemazemeis

AUGUSTO SOARES DE CARVALHALVA publicou na sua pagina pessoal (na plataforma do facebook), no dia quatro de Agosto de dois mil e vinte e dois (pelas oito horas e sete minutos), a imagem abaixo, acompanhada do texto intitulado «O nascer do meu Rio»

RioCaima.png

O meu Rio Caima, mais vaidoso que um artista de circo que sobe a primeira vez ao plateau, após percorrida a escassa distância desde o borbulhão donde emergiu das profundezas da Serra da Freita, apresenta-se ao mundo de uma forma espetacular, é logo ali, no primeiro dos mil saltos que escarpas abaixo o esperam até acalmar nas fundegas do vale de Cambra, que ele mostra a irreverência típica das gentes serranas daquele planalto de Albergaria da Serra.


É dali, sem rodeios de maior - ainda mal liberto dos cueiros de urzes que lhe deram a protecção primeira, meio sufocado ainda pelo brusco borbulhar das águas do parto ao expandir-se sobre os xistos rasteiros que lhe foram berço, ainda cego do rompante choque com a luz clara do dia límpido que o recebeu, meio estremunhado ainda, mas já resoluto, que ele mostra quem é, ... tomando balanço, mirando o longe que a poente brilhava de reflexos multicores, já escolhendo para si o caminho mais bonito que daqueles mil metros de altitude conseguia abranger, é dali da queda de sessenta metros da Frecha da Mizarela que ele tudo define, quer atravessar devagar aquele vale a ressumar de verde que lá ao fundo avista, o vale de Cambra, e depois quer ir encontrar-se com aquele rio além, o Vouga, que a poente faísca de prata ao banhar-se naquela planura de água salgada perto do mar, a Ria de Aveiro.


E o salto até que nem lhe foi difícil, na correnteza de águas de menor caudal daquele Agosto em que nasceu, ... nem olhou, nem pestanejou, simplesmente, mal sentiu o chão a fugir-lhe debaixo dos pés, abriu as asas e sorriu, sentiu-se leve, quase vaporoso, o desenho que o seu voo fez mais pareceu um véu de noiva a escorregar encosta abaixo, para logo se transformar em explosão imaterial ao beijar as afiadas rochas xistosas que lá em baixo lhe estendiam os braços

 

   Reacções - na pagina pessoal de Augusto Soares de Carvalhalva   

- Pelas oito horas e vinte e nove minutos, de quatro de Agosto de dois mil e vinte e dois, MARINA MAIA disse «Maravilhosa descrição do nascimento de um rio! Parabéns, parabéns!»

- Pelas oito horas e trinta e seis minutos, de quatro de Agosto de dois mil e vinte e dois, MARIA DA CONCEICAO SOUSA disse «Bom dia Augusto. Ficaria tão orgulhoso o rio Caima se o soubesse ler. Simplesmente lindo.»

- Pelas nove horas e treze minutos, de quatro de Agosto de dois mil e vinte e dois, EUNICE DOURADO disse «Uma ótima descrição para uma belíssima fotografia..... será que já não há por aí material que chegue para um livro de crônicas????????»

- Pelas dez horas e trinta e sete minutos, de quatro de Agosto de dois mil e vinte e dois, JULIA MATOS BASTOS disse «Fantástica descrição sobre o rio Caima, que soa, a uma maravilhosa poesia!! Bom dia e boa semana 🌞, para toda a família!!»

- Pelas dezassete horas e quarenta e um minutos, de quatro de Agosto de dois mil e vinte e dois, GISELA GARCIA disse «Maravilhoso texto. Abençoados banhos que tomei nesse rio em Macieira de Cambra (Quinta da Vide). Águas frescas e translúcidas.»

 

Fernando Pêgas / Actualizado em 05-08-2022 às 14:49